A Estrada Já Sabia o Meu Nome
Tem coisas que a gente é muito antes de entender. Eu fui uma delas.
Quem é a Mãe Fran?
Quem é a Mãe Fran? Essa pergunta me acompanha como uma carta virada na mesa, esperando o momento certo de ser lida. Então deixa eu te contar, do meu jeito, baixinho, como quem confia um segredo no pé do seu ouvido.
Eu sou uma mulher autêntica. Acolhedora, amorosa e justa, dessas que sentem a dor do outro antes mesmo de ouvir a história.
Sou determinada em tudo o que faço, espiritualizada, sensitiva, e mãe. Muito mãe. Tão mãe que, por muito tempo, fui me colocando em segundo plano sem nem perceber, cuidando de todo mundo antes de cuidar de mim.
Mas a minha caminhada começou bem antes de eu saber que era uma caminhada.
Desde pequena, a bruxinha
Desde pequena, eu enxergava o que os outros não viam. Minha mãe olhava pra mim e dizia, meio rindo, meio séria: "essa menina é uma bruxinha". E talvez ela já soubesse de algo que eu ainda ia levar anos pra descobrir.
Mesmo longe de qualquer religião, eu sempre fui de passar recados, de transformar a vida das pessoas, de levantar quem estava caído e elevar a vibração de qualquer um que cruzasse o meu caminho. Qualquer um que fosse.
A cadeira que virou escuta
Por muitos anos, eu tive uma clínica de estética. Mas tem uma coisa curiosa: as pessoas sentavam na minha cadeira e não buscavam só um tratamento. Elas buscavam acolhimento. Buscavam uma mensagem. Buscavam uma resposta.
E, sem entender direito, eu já estava fazendo o trabalho que a vida tinha guardado pra mim.
A cigana tinha outros planos
Estudiosa do jeito que sou, fui me formar em terapia. Queria entender as pessoas por dentro, mergulhar nessa parte holística, quem sabe ser terapeuta de casal. Os meus planos eram esses. Mas a cigana, ah, a cigana tinha outros.
Porque ela sempre esteve comigo. Eu só não sabia.
Quando abri o baralho
Nesse curso de terapia, ganhei de bônus um curso de baralho cigano. Lembro de pensar: "pra que eu vou fazer isso? O meu caminho é outro". Mas, já que tinha ganhado, resolvi fazer.
E metida e antecipada do jeito que eu sou, já pedi pro meu marido comprar um baralho antes mesmo de começar. Afinal, eu ia precisar entender as cartas.
Só que, quando abri aquele baralho, aconteceu algo que eu não consigo explicar com palavras comuns: eu já entendia. As cartas conversavam comigo como se a gente se conhecesse de outras vidas.
Comecei a atender as minhas clientes de estética e, sem alarde nenhum, já fazia consulta de baralho cigano. A minha primeiríssima cliente daquele tempo está comigo até hoje.
Foi ali, carta após carta, livro após livro, que a estrada começou a se desenhar debaixo dos meus pés.
A escuridão e o recado
Mas nem toda jornada é só luz. Houve um tempo em que a escuridão me alcançou. Entrei num quadro depressivo, uma das fases mais difíceis da minha vida.
E foi justamente ali, lá no fundo, que a luz me mandou um recado pela boca de quem eu menos esperava.
Uma cliente, no meio de um atendimento, me disse: "vai numa loja esotérica, compra anil, compra banho, compra incenso, e faz uma limpeza em ti". Eu pensei: "não custa nada tentar". E não custou. Custou o começo de tudo.
Ali eu me tornei praticante da lei da atração, ali eu entrei de vez nesse mundo mais místico, mais esotérico. E o mais bonito: as coisas começaram a dar certo.
Era ela de novo. Era a cigana, abrindo a estrada na minha frente.
O terreiro e o reconhecimento
Um dia, eu e o meu marido nos olhamos e dissemos: "vamos a um terreiro". E fomos.
No primeiro terreiro, encontrei uma gira de preto velho. E vou ser honesta com você, porque verdade é tudo o que eu tenho pra oferecer: como eu vinha de uma caminhada evangélica, o meu primeiro pensamento foi de medo.
Achei que aquilo tudo era coisa ruim. Achei que aquele não era o meu lugar. Mas alguma coisa dentro de mim, mais antiga que o meu medo, sussurrou: "volta". E eu voltei.
Na segunda vez, era festa do povo cigano. Eu estava ali, sentada no banco, apenas como assistente.
Foi quando os ciganos da festa começaram a me cumprimentar, um a um, olhando dentro de mim, enxergando a minha cigana, e dizendo: "que bom que tu chegou, mulher".
Eu não entendia. Eu não sabia que era filha de cigana. Mas eles sabiam. A estrada já sabia o meu nome muito antes de eu aprender a dizer esse nome em voz alta.
E foi assim que a Mãe Fran chegou aonde está hoje.
Hoje eu sou Mãe Fran
Hoje eu sou mãe de santo. Pronta de um lado na Umbanda, pronta do outro lado na Quimbanda. Tenho uma casa de axé com muitos filhos, uma casa que se sustenta na verdade e na essência, sempre.
Sou mãe de um anjo de 14 anos. Sou casada há 20 anos com o Pai Jheimes, o presidente da nossa organização religiosa. Sou empresária, sou dona de casa, sou brincalhona e sou séria.
Sou louca, do jeito mais bonito de ser louca. Uma deusa, uma louca e uma feiticeira: é assim que eu me reconheço. Feiticeira, cigana e feliz.
Há um tempo, fechei a minha clínica de estética. E não foi perda, foi entrega. Eu me ajoelhei diante da cigana e fiz um trato com ela: "a partir de hoje, eu me entrego cem por cento a você. Vou trabalhar pra você. Em troca, te peço sabedoria, conhecimento, força e conexão".
E você sabe o que é mais lindo? Ela me honrou. E me honra até hoje.
Por isso, hoje eu trabalho exclusivamente para a cigana, para a espiritualidade, para o meu terreiro e para os meus filhos de santo.
Me dedico aos meus clientes, à minha empresa, que leva o nome de Fran Cigana da Estrada, um nome que eu vou honrar pra sempre, e à minha família, ao meu casamento, ao meu filho, à minha vida e a tudo o que ela ainda tem pra me revelar.
- Desde 2013lendo Baralho Cigano
- 70 filhos de santona Casa de Lei
- Onlinee presencial em Criciúma (SC)
A linha do tempo
Curva após curva
Abre a clínica de estética, onde por quase duas décadas as clientes buscavam mais do que um tratamento.
Formação em terapia holística.
Recebe de bônus um curso de Baralho Cigano e começa a atender, ainda na própria clínica.
Atravessa um quadro depressivo, o início da virada rumo à limpeza espiritual.
Primeira visita a um terreiro de Umbanda e o reconhecimento do povo cigano.
Aprontada na Umbanda.
Aprontada na Quimbanda.
Entrega total à Cigana da Estrada: fecha a clínica de estética.
Dirige a Casa de Lei ao lado do Pai Jheimes, com 70 filhos de santo, e atende consultas de Baralho Cigano desde 2013.
Como eu trabalho hoje
Três estradas, uma só direção
Hoje eu trabalho exclusivamente para a Cigana, para a espiritualidade, para o meu terreiro e para os meus filhos de santo. Meu trabalho se divide em três estradas.
Consultas de baralho cigano
Leitura de cartas com acolhimento, verdade e direção prática, online ou presencial em Criciúma (SC).
Ver consultasTrabalhos espirituais
Rituais conduzidos com cuidado, sigilo e respeito ao tempo de cada pessoa, entre eles o Pacto com a Cigana, a Reconciliação Amorosa e a Abertura de Caminhos. Não prometo milagres. Ofereço encontro.
Ver trabalhosEnsino
Curso de Baralho Cigano, do zero ao primeiro jogo com confiança, na minha voz e no ritmo de cada aluno.
Ver cursos
No que eu acredito
Verdade, não aparência
Verdade é tudo o que eu tenho pra oferecer. A minha casa se sustenta na essência, nunca na aparência. Eu não prendo ninguém, não vendo milagre, não invento certeza onde a espiritualidade pede silêncio.
O que eu faço é abrir a mesa, abrir as cartas e abrir a estrada, com a seriedade de quem sabe que está mexendo com a vida das pessoas e o carinho de quem já esteve do outro lado da mesa, precisando de resposta.